Das ruas de terra à Capital Nacional do Calçado Esportivo
História da cidade confunde-se com a história das indústrias da região
Estamos diante de um polo precoce em todos os sentidos no que diz respeito à economia e indústria. Desde seus primeiros passos, Nova Serrana chamou a atenção de autoridades e mostrou que nasceu para tornar-se referência no setor calçadista. A história, por si só, revela que este é um polo empreendedor: teve a primeira sede regional da Fiemg no Centro-Oeste mineiro e a criação do Centro de Desenvolvimento Empresarial, que uniu fabricantes e trouxe inúmeras vantagens.
Paulo Cesar de Freitas, empresário e prefeitoem Nova Serranapor quatro mandatos, relembra as dificuldades encontradas logo no começo. “A cidade começou a se destacar com a indústria a partir de 1989, quando o crescimento do município ficou enraizado ao setor calçadista. Havia poucas ruas calçadas, muita poeira, a mão de obra era ainda mais difícil. A partir da década de 90, as coisas começaram a melhorar, inclusive quanto à qualidade da nossa produção. Passamos a contar com mais incentivo”, relembra. E completa: “Não fosse a produção calçadista, acredito que Nova Serrana não teria mais que 10 mil habitantes. Hoje estamos caminhando para 80 mil”.
O senhor José Silva de Almeida, conhecido como Zezito, um dos primeiros fabricantes do polo, também comenta a história da cidade. “Foi tudo muito difícil. Não tínhamos estradas, quando chovia ficávamos ilhados. Nova Serrana é uma cidade de terras inférteis e por isso a população encontrou na produção calçadista um meio de vida e abraçou a profissão. O polo progrediu graças à determinação e ao empreendedorismo deste povo trabalhador. E olha que antigamente era tudo manual, não tínhamos tecnologia. Hoje as fábricas são muito bem equipadas”, disse. No início, a produção era concentrada na fabricação de botinas. Depois, alguns empresários produziam mocassim.
Mas foi através do senhor Vicente de Paula Amaral que Nova Serrana conheceu o seu grande trunfo: o tênis. “Eu produzia botinas, mocassins. Era caminhoneiro e vendia meus próprios produtos. Mas era tudo muito difícil, a gente tinha que buscar componentes em Franca (SP), São Paulo (SP) e Novo Hamburgo (RS). Ao mesmo tempo as vendas eram concentradas no Pará, Mato Grosso, Rondônia e Goiás”, lembra Vicente. Naquela época, poucos fabricantes faziam tênis. “Nova Serrana tinha pouco mais de cinco mil habitantes. Apenas uma empresa da cidade produzia tênis, a Saturno, e mesmo assim era de couro. Este de sintético e borracha não era produzido no polo. Quando viajei para o Rio de Janeiro conheci este tênis. Unimos o nylon e a borracha e passamos a fabricar este tipo de calçado”, destaca. O produto tornou-se uma explosão no mercado. Todos queriam comprar. “Cheguei a fabricar sete mil pares por dia e, como naquela época não tínhamos muita tecnologia, contávamos com 450 funcionários para atender a demanda”, conta.
Joel Martins, que também foi prefeito por três vezesem Nova Serrana, destaca a importância do senhor Vicente. “Este homem fez muito por nossa cidade e mudou toda a história quando colocou o tênis na produção do polo”, disse. Empresário desde 1981 e à frente da marca Zagga, Joel afirma que Nova Serrana é uma terra de pessoas trabalhadoras, de empreendedores que transformaram a cidade em uma potência. “A cidade tinha fábricas de botina. Hoje o polo vende moda. Fabrica com rapidez e qualidade. Desenvolveu ações, junto ao Sindinova e a parceiros como Sebrae-MG, Fiemg e Senai para que o empresariado se fortaleça”, ressalta.
Atualmente a cidade possui dados que impressionam. A profissionalização da mão de obra anda a passos largos, proporcional ao aumento da população que cresce 8% ao ano. Todos os dias Nova Serrana acolhe inúmeras famílias, que fazem deste município a cidade escolhida para serem felizes. Ao mesmo tempo, o empresariado oferece emprego para toda a região. São mais de 60 ônibus, todos os dias, trazendo profissionais para atuarem no setor. Este é um município que já acumula títulos que o transformam em uma grande potência, com perfil industrial comparado ao de grandes centros urbanos.
Um pouco de história
Nova Serrana era distrito de Pitangui, conhecido como Cercado. Somente em 1953 passou a se denominar município de Nova Serrana. Para uma cidade com apenas 58 anos, o município está há muito tempo no hall dos principais polos calçadistas do Brasil e se destaca como a cidade que mais cresceem Minas. O polo possui cerca de 1200 empresas do setor, produz mais de 110 milhões de pares ao ano e emprega 42 mil pessoas direta e indiretamente.
Fonte: Revista Comemorativa 20 Anos Sindinova (Geysa Santos)






