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Debate sobre implantação de APAC em Nova Serrana foi realizado pelo Comitê de Segurança
Debate sobre implantação de APAC em Nova Serrana foi realizado pelo Comitê de Segurança
22 de fevereiro de 2022

Audiência Pública - APAC

Público presente pôde fazer perguntas e interagir com os organizadores da Audiência Pública

Na quinta-feira, (18/02), o auditório do Sindinova foi palco para uma Audiência Pública promovida pelo Comitê de Segurança. Em pauta, a implantação de uma Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC) em Nova Serrana e a implementação de um Centro de Reintegração Social (CRS) na Comarca.

Conduzido pelo promotor de Justiça, Dr. Davi Reis Pirajá, o evento teve a participação de um grande público. No roteiro, além das argumentações de profissionais especialistas na área criminal, também abriu-se a palavra para parlamentares e lideranças religiosas abordarem sobre a importância da APAC e o testemunho de um ex-recuperando que contou sua experiência no método apaqueano.

Alternativa ao sistema prisional comum, uma das principais diferenças da APAC é que, nela, os próprios detentos são corresponsáveis por sua recuperação. Entre os objetivos estão a recuperação do preso, proteção da sociedade, o socorro às vítimas e a promoção da justiça restaurativa.

Processo de Implantação

A realização da Audiência Pública consistiu em apresentar a metodologia para a comunidade em geral a fim de mobilizar e sensibilizar os participantes. Foi também a oportunidade de demonstrar a necessidade de a sociedade civil comprometer-se com a execução penal, atuando como corresponsável na ressocialização do condenado.

O processo para a implantação da APAC é dividido em 15 passos, agrupados em cinco blocos, sendo eles os seguintes:

Bloco I: Aspectos jurídicos e conhecimento da metodologia.

Bloco II: Estrutura física do CRS e rede.

Bloco III: Parceria custeio.

Bloco IV: Capacitação e treinamento das equipes.

Bloco V: Início das atividades.

Referência em outros municípios, o método APAC é uma iniciativa diferenciada que vem humanizar e contrapor o sistema carcerário comum. Para o promotor de justiça, o resultado da audiência é fruto do engajamento dos membros do Comitê de Intervenção Estratégica.

“É uma grande conquista. O Comitê já vem trabalhando aqui na Comarca há algum tempo. Não tenho dúvida de que o projeto da APAC, que hoje dá o primeiro passo, vai ser um passo importantíssimo para a Comarca e para a região como um todo. Na garantia não só de uma execução de pena humanizada, mas também na permissão de um avanço na segurança pública, para a diminuição dos índices de reincidência na nossa região”, justifica Pirajá.

Parceria e Recursos

Para a construção da APAC, já existe, segundo o prefeito de Nova Serrana Euzebio Lago (MDB), três imóveis à disposição no município.

“A responsabilidade é de todos. Não é só da Prefeitura. Porém, nós já temos três áreas à disposição para a construção da APAC. Uma de 36 mil metros, uma de 40 mil metros e outra de 50 mil metros. A sociedade, o Conselho e toda essa organização é que irão decidir qual será o melhor lugar para a construção da APAC. Lembrando que esse é um projeto de todos nós. Nós temos a responsabilidade e seremos, de certa forma, abençoados também através da APAC em Nova Serrana”, enfatizou Lago.

O presidente da Câmara de Nova Serrana Agnaldo Mendes Cordeiro – Cabral (SDD) também confirmou a participação do Legislativo neste projeto.

“A Câmara está contribuindo desde o começo. Nós fizemos visita em Itaúna. Pode ter certeza que nós vamos entrar com recursos financeiros, psicológicos, voluntários. O que for preciso, a Câmara está empenhada com esse grande projeto para Nova Serrana”, frisou Cabral.

O deputado Estadual Fábio Avelar (AVANTE) também se comprometeu a ajudar na implantação da Associação.

“Eu, como deputado, também quero dar minha participação. Esta semana é a semana de destinação de recursos parlamentares de todos os deputados do Estado de Minas Gerais. Quero ver este projeto, quero ver valores, quero contribuir para a instalação da APAC em Nova Serrana porque eu sei que é de suma importância”, garantiu o parlamentar.

Testemunho

Um dos convidados para Audiência Pública foi o gerente de metodologia da Fraternidade Brasileira de Assistência aos Condenados (FBAC) e ex-recuperando da APAC, Daniel Luís da Silva. Durante seu testemunho, Silva contou sobre o seu passado e como deu a volta por cima. Todos os presentes se emocionaram com a sua história de vida.

“Eu tive a oportunidade, depois de 14 anos e meio de cumprimento de pena, de passar numa APAC, onde fui socializado pela primeira vez na minha vida. Quando falo ‘socializado’, é ter uma educação de qualidade, receber princípios, regras, aprender a viver em comunidade. E eu fiz dessa oportunidade que eu recebi um divisor de águas na minha vida. Conforme as oportunidades foram surgindo, eu as abracei”, relata Daniel.

Conferência Magna

Durante o evento, os participantes puderam fazer perguntas e também foi passada uma lista para aqueles que quisessem aderir ao movimento de forma voluntária. Ao final, o promotor de Justiça, Dr. Henrique Nogueira Macedo, respondeu aos questionamentos e concluiu com a realização da Conferência Magna.

“A APAC é um método transformador de execução de pena. Ela é não só uma metodologia que visa aplicar os benefícios que estão previstos nas nossas leis de execuções penais, que é a reinserção social pelo trabalho e pelo estudo, mas é também pessoa jurídica. Constitui-se uma APAC juridicamente estabelecida em uma determinada comarca para que, no futuro, com o envolvimento da sociedade e com convênios com o setor público, se construa uma unidade prisional, que nós damos o nome de CRS (Centro de Reintegração Social)”, enfatizou Macedo.

Ainda segundo Nogueira, a taxa de reincidência de reeducandos da APAC no mundo do crime é de 9%. “Os custos para os cofres públicos também são menores. Apenas R$ 1 mil por mês por preso. Isso é menos de um terço do que o Estado gasta hoje com um preso comum. E isso é possível graças a uma gestão eficiente, simples e com o apoio da comunidade com o envolvimento de voluntários”, concluiu.

Participantes

Compuseram a mesa as seguintes autoridades: o juiz de Direito, Dr. Paulo Eduardo Neves; os promotores de Justiça, Dr. Henrique Nogueira Macedo e Dr. Davi Reis Pirajá; o deputado Estadual Sr. Fábio Avelar; os prefeitos de Nova Serrana, Araújos e Perdigão, respectivamente, Sr. Euzebio Rodrigues Lago, Sr. Geraldo Magela da Silva, Sr. Julliano Lacerda Lino; o presidente da Câmara Municipal De Nova Serrana, Sr. Agnaldo Mendes Cordeiro (Cabral); o presidente da 144ª Subseção OAB Nova Serrana, Sr. Ezequiel Cilas Rodrigues; o Comandante do 60º Batalhão da Polícia Militar, Sr. Herbert Ferreira Lanza Avelar; o padre e administrador da Paróquia São João Bosco, Sr. Amarildo José de Melo; o pastor da Igreja Batista Nacional Cristo Vive, Sr. Darci Melquíades de Sousa; o presidente do Sindinova, Sr. Ronaldo Andrade Lacerda e o gerente de Metodologia da Fraternidade Brasileira De Assistência Aos Condenados (FBAC), Sr. Daniel Luiz Da Silva.

Na plateia, demais autoridades locais e regionais; lideranças religiosas; conselhos, associações e entidades de classe; sindicatos; ONGs; coordenação, corpo docente e alunos de faculdades; empresários e imprensa.

Selma Assis
Assessoria de Comunicação

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