Por Olavo Machado Junior
Presidente Sistema Fiemg
Comemoramos hoje, em Minas, o Dia da Indústria 2015 – e queremos fazê-lo com fé, confiança e otimismo, mas, também, com a necessária ressalva de que ser otimista significa compreender a realidade e agir com firmeza e energia para transformá-la – por maiores que sejam os obstáculos. O Brasil vive hoje uma grave crise e a indústria tem sido a maior vítima. As consequências são dramáticas: inflação alta, as maiores taxas de juros do mundo, desemprego em crescimento, crise hídrica, crise de energia e o PIB ladeira abaixo. Na política, os poderes Legislativo e Executivo – e, por vezes, também o Judiciário – se engalfinham em uma guerra incompreensível, que em nada favorece os interesses do Brasil e dos brasileiros.
No Legislativo, aprova-se a “PEC da Bengala” não porque a expectativa de vida dos brasileiros tenha aumentado, mas, sim, para evitar que o Executivo possa indicar ministros do Supremo Tribunal Federal. Extingue-se o “fator previdenciário”, também no Legislativo, não porque seja justo ou para beneficiar os trabalhadores, mas, sim, para complicar o “ajuste fiscal” e, de novo, incomodar o Executivo. Em nenhum momento, se vê qualquer preocupação com os efeitos da decisão sobre as contas da previdência, da ordem de bilhões de reais! De seu lado, o Executivo loteia cargos públicos em todos os escalões – não para implementar um legítimo governo de coalização, mas, sim, para cooptar e controlar deputados e senadores.
Os reflexos no campo social são inevitáveis, pois sem crescimento não há geração de recursos para financiar programas que atendam os segmentos mais carentes da população. Chegamos ao fundo do poço e para sair dele precisamos, mais que em qualquer outro tempo, das nossas lideranças políticas, pois, como nos mostra a história, são as boas decisões políticas que geram boas decisões na economia. Os exemplos são muitos: o presidente Getúlio Vargas criou o BNDES e a Petrobras; o presidente JK construiu Brasília e a indústria automobilística; o presidente Itamar Franco fez o Plano Real; FHC criou a Lei de Responsabilidade Fiscal e iniciou reformas importantes, entre elas a da Previdência; o presidente Lula patrocinou avanços sociais inquestionáveis; e, hoje, a presidente Dilma se esforça em trabalhar para dar sequência a essa obra.
Do ponto de vista objetivo, o ajuste fiscal proposto pelo governo da presidente Dilma é necessário, mas com o alerta de que não pode restringir-se, como tem ocorrido até agora, a aumentar impostos e patrocinar medidas que penalizam os cidadãos. Simultânea e paralelamente ao ajuste é preciso preservar investimentos, retomar o programa de concessões de obras de infraestrutura e tirar das gavetas as reformas estruturais que vêm sendo postergadas há anos e décadas, contribuindo para elevar absurdamente os custos de se produzir no Brasil e corroendo a competitividade da economia brasileira em razão direta da carga tributária exorbitante, da obsolescência da nossa legislação trabalhista e da explosiva legislação previdenciária.
Nesse cenário, algumas perguntas estão no ar: quando e quanto os governos, em seus diversos níveis, vão economizar nos gastos de custeio? Quando o número de ministérios voltará a patamar mais compatível com a realidade e necessidades? Quando será encarada com seriedade e compromisso com o país a necessidade de retomar as reformas estruturais. É urgente respondê-las!
Na verdade, nosso otimismo fundamenta-se na convicção de que nossas lideranças políticas farão o que precisa ser feito. Afinal, a sociedade brasileira não abre mão dos avanços duramente conquistados nos últimos 20 anos e que asseguraram ao país o controle da inflação, políticas sociais transformadoras, crescimento da classe média brasileira e redução do desemprego. A voz das ruas é cada vez mais estridente, mais presente e mais impaciente.
Nosso otimismo contempla a convicção de que também Minas Gerais precisa avançar – e esse é o desafio que se coloca ao governador Fernando Pimentel. O que se espera é que ele lidere o processo que nos levará a conquistas ansiadas há décadas – e até séculos – pelo povo mineiro: a construção de uma economia e de uma indústria forte, diversificada, moderna e capaz de agregar valor ao produto mineiro.
Muito nos orgulhamos da riqueza e variedade dos nossos recursos naturais – nosso ouro, nosso minério de ferro, nosso aço, nosso cimento, mas queremos agregar valor a eles, de forma a ampliar e diversificar nossa pauta exportadora e nos habilitar a conquistar espaços cada vez maiores nos grandes mercados mundiais.
Enfim, somos otimistas porque, em nome da indústria mineira, entendemos a realidade difícil com que nos defrontamos e temos consciência de que, unidos e coesos, seremos capazes de trabalhar para moldá-la na direção da construção de um estado e de um país mais fortes, justos e ricos, com a necessária distribuição dos frutos do desenvolvimento àqueles que, de fato, têm a força para mudar o Brasil – o cidadão brasileiro.
“Ser otimista significa compreender a realidade e agir com firmeza e energia para transformá-la – por maiores que sejam os obstáculos”






