Sindinova esteve presente nas reuniões da CAMEX e defendeu os interesses do polo calçadista

Após semanas de reuniões, os ministros que integram a Câmara de Comércio Exterior (CAMEX) definiram, no dia 29 de fevereiro, a extensão da lei antidumping por mais cinco anos. A lei impõe uma sobretaxa por par de calçado importado da China como forma de proteger o mercado nacional contra a concorrência desleal. Ainda na nota oficial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), além da prorrogação do prazo de vigência, o valor por par foi reajustado para U$ 10,22, uma diferença de 26,2% do que vinha sendo praticado (U$ 13,85/par). O primeiro vice-presidente do Sindinova, Júnior César Silva, representou, no dia 24 de fevereiro, o polo calçadista de Nova Serrana em reunião no gabinete do ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, em Brasília. Ananias é um dos membros da CAMEX.
Silva, que no dia 2 de dezembro de 2015 também esteve em reunião com o Departamento de Defesa Comercial (DECOM), que é vinculado ao MDIC, teve a oportunidade de reafirmar, desta vez ao ministro, o quanto o polo de Nova Serrana será afetado caso a lei antidumping não seja renovada. “A lei antidumping implantada em 2010 possibilitou a sobrevivência da indústria calçadista de Nova Serrana e sua manutenção é de extrema importância, pois mesmo com o dólar valorizado, não temos nenhuma condição de competir com os preços praticados pelos chineses”, explica o primeiro vice-presidente do Sindinova.
A lei antidumping foi implantada em 2010 e, antes de sua adoção, as importações de calçados chineses bateram na cifra de US$ 183,6 milhões, mais de 70% do total importado em calçados pelo Brasil. Após a aplicação da sobretaxa, o número caiu para US$ 54,9 milhões, cerca de 18% do total importado. Em 2015, a importação de calçados da China foi de US$ 45,9 milhões, 80% menor do que antes da aplicação da sobretaxa. “Assim como havia feito em diversos países e setores, as importações predatórias oriundas da China estavam quebrando a indústria de calçados. Certamente a ferramenta foi fundamental para a sobrevivência do segmento no Brasil”, ressalta o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Heitor Klein. Também participaram da reunião no Ministério o presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Setores Coureiro-Calçadista e Moveleiro, deputado federal Renato Molling (PP-RS), os deputados federais Jaime Martins (PSD/MG) e Milton Monti (PR-SP), além de representantes de polos calçadistas do país.
Antônio Azevedo
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